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domingo, 5 de junho de 2011

Amor Maduro

          O amor maduro não é menor em intensidade.
        Ele é apenas silencioso. Não é menor em extensão.
        É mais definido, colorido e poetizado.
        Não carece de demonstrações:
        Presenteia com a verdade do sentimento.
        Não precisa de presenças exigidas:
        amplia-se com as ausências significantes.
        O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
        Mas vive dos problemas da felicidade.
        Problemas da felicidade são formas
        trabalhosas de construir o bem e o prazer.
        Problemas da infelicidade não
        interessam ao amor maduro.
        Na felicidade está o encontro de peles,
        o ficar com o gosto da boca e do cheiro,
        está a compreensão antecipada, a adivinhação,
        o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto,
         os discursos silenciosos da percepção, o prazer
        de conviver, o equilíbrio de carne  e de espírito.
        O amor maduro é a valorização do melhor do outro
        e a relação com a parte salva de cada pessoa.
        Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.
        Vive do que fermentou criando dimensões  novas para sentimentos antigos, 
        jardins abandonados, cheios de sementes.
        Ele não pede, tem.
        Não reivindica, consegue.
        Não percebe, recebe.
        Não exige, dá.
        Não pergunta, adivinha.
        Existe, para fazer feliz.
        O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
        Basta-se com o todo do pouco.
        Não precisa e nem quer nada do muito.
        Está relacionado com a vida e sua incompletude,
        por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso.
        É feito de compreensão, música e mistério.
        É a forma sublime de ser adulto é a forma adulta de ser sublime e criança.
        É o sol de outono: nítido mas doce.
        Luminoso, sem ofuscar. 
        Suave mas definido.
        Discreto mas certo.
        Um Sol, que aquece até queimar…
      ( Artur da Távola)

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